Saúde Mental e o Hospital de Setúbal

A Organização Mundial de Saúde estima que cerca de 20% das crianças e adolescentes apresente pelo menos uma perturbação mental antes de atingir os 18 anos de idade. Uma em cada cinco crianças apresenta evidência de problemas mentais e destas, cerca de metade tem uma perturbação psiquiátrica, sendo que apenas 1/3 a 1/5 recebe tratamento. Sabe-se também que 50% da psicopatologia encontrada no adulto tem início antes dos 14 anos e 75% antes dos 24 anos. 1 Existem múltiplas razões para se investir no desenvolvimento de intervenções eficazes de saúde mental para crianças e adolescentes:

  • Existe um importante grau de continuidade entre muitas perturbações da infância e adolescência, e as da idade adulta.

  • A intervenção precoce pode prevenir ou reduzir a probabilidade de incapacidade a longo prazo.

  • O investimento nesta área é a acção com melhor relação custo/eficácia para contrariar o aumento contínuo dos problemas mentais a que assistimos actualmente em todos os grupos etários.

  • Intervenções eficazes reduzem o custo das perturbações de saúde mental, não só para o indivíduo e sua família, mas também para os sistemas de saúde e para as comunidades.(1)


Nos últimos anos, em Portugal, têm sido desenvolvidos esforços no sentido de colmatar as necessidades que existem nesta área. Apesar disso, em algumas regiões, as respostas são ainda insuficientes para as necessidades da população, nomeadamente na região do Sul.


A Unidade de Pedopsiquiatria do Centro Hospitalar de Setúbal (CHS) está integrada no Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental (DPSM) e é constituída por duas Pedopsiquiatras, uma Terapeuta da Fala e um Terapeuta Ocupacional (partilhado com o restante Departamento). Também os Técnicos de Serviço Social e Enfermagem são partilhados com o restante Departamento.


Atende a população dos zero aos dezassete anos de idade, inclusive, dos concelhos de Setúbal, Palmela, Sesimbra, Alcácer do Sal, Grândola, Santiago do Cacém, Sines e Odemira, que apresente psicopatologia individual e/ou familiar.


O combate ao estigma relativamente aos problemas de saúde mental deve ser transversal a toda a sociedade


O acesso à Consulta de Pedopsiquiatria faz-se através de referência médica interna ou externa ao Hospital (por exemplo, através do médico de família ou do pediatra).


As situações de maior gravidade poderão ser referenciadas através do Serviço de Urgência de Pedopsiquiatria, localizado no Hospital de Dona Estefânia (Lisboa). O Serviço de Urgência de Pedopsiquiatria funciona 24 horas por dia, todos os dias, e atende crianças e adolescentes com idades inferiores a 18 anos, das regiões de Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo, Algarve e Açores. São consideradas situações urgentes: alterações graves do humor, do comportamento (p.ex. agitação psicomotora, agressividade), comportamentos autolesivos suicidários e não-suicidários, ideação suicida, alterações do pensamento e da percepção (p.ex. ideias delirantes, alucinações). As restantes situações deverão ser referenciadas à consulta de Pedopsiquiatria dos hospitais da área de residência.


O estigma relativamente aos problemas de saúde mental, particularmente na infância e na adolescência, é um dos entraves à referenciação de inúmeras situações que deveriam beneficiar de uma intervenção precoce e especializada. Este estigma afecta também a adesão ao tratamento psiquiátrico por parte dos jovens com perturbações mentais e frequentemente por parte das respectivas famílias. Muitas vezes, e sobretudo na adolescência, o maior estigma vem do próprio, por medo que os amigos e os colegas o achem “diferente”/ “maluco”, ocultando o seu mal-estar, resistindo ao diagnóstico e ao tratamento. Noutras situações, os próprios adolescentes maltratam e ridicularizam os colegas que exprimem o sofrimento (quase como um “medo do contágio”, nesta fase da vida em que a identidade se está a desenvolver).


O combate ao estigma relativamente aos problemas de saúde mental deve ser transversal a toda a sociedade, com especial enfoque para o contexto escolar, através da sensibilização precoce das crianças para o respeito pelas diferenças individuais e pelo sofrimento do outro. De igual forma será fundamental desmistificar os problemas de saúde mental, proporcionando às crianças e aos jovens a possibilidade de falar, nas escolas, em casa, entre os pares, sobre sentimentos, emoções, relações... Talvez dessa forma as crianças e os adolescentes possam melhor reconhecer que os problemas de saúde mental podem afectar qualquer pessoa e que todos podemos e devemos ser promotores de Saúde Mental junto daqueles que nos rodeiam.


Unidade de Pedopsiquiatria

Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental

Centro Hospitalar de Setúbal, E.P.E.


(1) - 1 Goldschmidt T, Marques C, Xavier M(2018). Rede de Referenciação Hospitalar de Psiquiatria da Infância e Adolescência. CNSM e ACSS, Ministério da Saúde.


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