• Flávia Narciso, estagio

Fora da Casca IV

Hoje o holofote não estará apenas focado em mim, quero que esse mesmo holofote se vire para as necessidades do mundo, para a dura realidade a que muitas vezes fechamos os olhos, não é connosco, não temos que nos preocupar. A minha história é bastante comum, tal como muitas outras, apenas com algumas controvérsias pelo caminho, se assim as posso chamar, mas olhando bem ao meu redor, o que é toda a minha dor, a minha história, comparado com toda a brutalidade que existe no mundo? Seria egoísmo da minha parte, não saber reconhecer tais problemas atuais.

Há de facto, temas que tocam a todos, a mim especialmente, enquanto procurava temas ou ideias para um novo artigo ou post, deparei-me com um texto de opinião, de um anónimo, que sem dúvida alguma, merece uma salva de palmas, da minha parte terá com certeza.


Falava sobre uma menina de sete anos que paralisou a internet, numa certa data, devido à atrocidade em que aquela criança vivia, desnutrida, sem condições de vida, mas amada, especialmente amada pela sua mãe, no entanto o amor não nos salva da morte, por mais que queiramos que assim seja. E assim foi o seu trágico fim, o dela, e o de milhares de crianças que se encontram em condições de vida lamentáveis, e o direito à vida? Como assim é permitido que milhares de crianças não tenham as mesmas oportunidades que as outra milhares que vivem do outro lado do globo?


Eu sou filha, irmã, sobrinha, e esta menina também o era, a nossa única diferença é que eu encontro-me debaixo de um teto, com comida na mesa, roupa lavada, e vivi ainda mais 15 anos que ela. Deito-me todos os dias na minha cama, enquanto que outros são enterrados a 7 palmos dos familiares que por cima dos que partem, deixam cair as lágrimas de dor. Olhando agora para tudo o que tenho sinto-me realizada e ao mesmo tempo dorida, não é fácil sentirmo-nos felizes quando, ao nosso lado temos quem nada tem.


O nosso objetivo deveria ser proteger os mais vulneráveis, neste caso as crianças, vivemos num mundo onde as crianças não têm resposta aos seus gritos de ajuda, e é lamentável saber disso, ainda mais lamentável para quem deveria fazer algo e não o faz, não deveria ser essa imagem do mundo, mas hoje quando me for deitar será apenas a imagem que terei na minha memória, a imagem de Amal Hussain, uma menina de 7 anos, tal como disse, sou tia, de uma menina de 7 anos, é a luz dos meus olhos, assim como Amal era para a sua mãe, afinal, todas as crianças são as luzes dos olhos das suas mães.


Hoje este meu artigo, é dedicado a todas as crianças que não puderam ter a mesma oportunidade de vida que eu, àquelas que a vida não lhes facilitou e tornou cada vez mais difícil de respirar, àquelas que por cima delas nascem flores todos os dias. Poderia dizer que agora já não sofrem, que estão em paz, mas não posso dizer sabendo que não é verdade, sabendo que quem lhes devia ter estendido a mão não o fez, fechou os olhos como muitos outros fazem, quem lhes devia ter tirado da miséria em que viviam, e do meio da tragédia em que acordavam todos os dias. Estas crianças poderiam ter tido outro fim, Amal poderia ter tido outro fim, mas não foi esse o final que quiseram escrever para elas. Está na altura de mudar o final.



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