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Brincar em terapia, mito ou verdade?

''O meu filho não faz nada no psicólogo, só brinca''.

É muito comum ouvir os pais e encarregados de educação expressarem este tipo de opiniões quando os seus filhos vão ao psicólogo. Isto acontece porque, quando questionadas sobre o que fazem em terapia, muitas crianças verbalizam que brincam, jogam e também desenham.

Muitas vezes, os pais acreditam que os seus filhos não fazem terapia propriamente dita, como se de adulto se tratasse, porque acreditam que estas 'brincadeiras' não são terapia.

Na verdade, é precisamente o contrário.


As crianças (e muitas vezes acontece também com os jovens), não têm a capacidade para expressar as suas emoções/sentimentos e problemas pessoais, da mesma forma que um adulto. Torna-se difícil trabalhar competências emocionais, sociais, assim como medos e angústias, recorrendo ao diálogo com uma criança, durante 45/50 minutos, estando esta sentada num sofá ou cadeira, sem qualquer outro estímulo.


É neste contexto que surge a ludoterapia:


De uma forma simples, a ludoterapia é uma forma de terapia através do brincar, uma atividade que é natural no desenvolvimento da criança. Na ludoterapia, são utilizados vários recursos, como por exemplo brinquedos, jogos ou outros materiais artísticos. Os materiais utilizados na ludoterapia, funcionam como um veículo de comunicação entre criança e psicólogo.



Apesar de existirem abordagens de vários autores sobre a ludoterapia e a forma como a criança explora o setting terapêutico, a importância do brincar é transversal a todos eles.


O ato de brincar em terapia pode desempenhar várias funções:


  • Anular a resistência de crianças tímidas ou ansiosas, ou ainda casos de crianças vitimas de abusos sexuais ou agressões;

  • Trabalhar os medos da criança;

  • Trabalhar a resolução de problemas;

  • Estimular o processo de aprendizagem;

  • Contribuir para a socialização da criança;

  • Trabalhar a memória, atenção e controlo comportamental, entre outros;

  • Contribuir para o desenvolvimento físico, intelectual e emocional da criança;

  • Fortalecer a relação terapêutica (criança/psicólogo).

O ato de brincar em terapia pode assumir várias formas, e muitas das brincadeiras ou jogos que a criança faz durante a terapia, tem um objetivo e contexto específico.


Exemplos de brincadeiras que podem surgir em contexto terapêutico:


  • Plasticina;

  • Legos;

  • Jogos de rimas e palavras;

  • Brincar com fantoches;

  • Brincar com peluches;

  • Brincar com (bebés) nenucos;

  • Casas de brincar;

  • Jogos (Mikado);

  • Brincar ao ''faz-de-conta'';


Brincar deve ser a principal função da criança, não só em contexto terapêutico, mas também durante toda a sua infância e todas as fases do seu desenvolvimento. Em cada fase do desenvolvimento da criança, o brincar assume novas funções e a criança aprende e estimula a sua criatividade de diferentes formas.

É muito importante deixar as crianças serem crianças.

E elas devem fazer aquilo que melhor sabem fazer.

Brincar!


''A brincadeira é o trabalho da infância'' - Jean Piaget


Até breve!


Susana Santos

Psicóloga Clínica

Membro Efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses nº24251



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